domingo, 22 de abril de 2007

Museu de Xangai

Quando Sócrates parou de chupar o dedo, aquela jarra de bronze na minha frente já tinha 1500 anos. Quando olhamos para a história da China, o nascimento de Cristo não fica mais distante do que o lançamento do Chevete.

Esculturas de 1800 AC impressionam, mas o que mais me embasbacou foram pinturas e cerâmicas incríveis do século XIII, XIV. Quando penso em 1200 na Europa me vem à cabeça um monge sujo sentado numa banqueta tosca com uma roupa de saco de batatas. E o os chineses fazendo aquelas coisas elaboradíssimas. Outra coisa impressionante: você vê um pratinho de cerâmica da Dinastia Ming de 1426, outro de 1687, e vai indo, até um da dinastia Qing, de 1911. E são iguais. Não há uma evolução técnica, como na arte ocidental.

Outro dia, quando os chineses anunciaram uma lei que pode ser considerada o início da propriedade privada, o presidente da China, Hu Jintao, foi questionado sobre a abertura política. Ele disse que por ora as coisas permaneceriam como estão, sem mudanças. O atual estágio do comunismo, disse ele, deveria durar pelo menos mais uns cinquenta, cem anos. Lembro que o comentarista político brasileiro riu, na tv. Eu também. Porra, os caras passaram 600 anos fazendo o mesmo pratinho, exatamente do mesmo jeito, o que são cinquenta anos na política?

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